terça-feira, 12 de março de 2013

Crônicas de Rondônia (13/03) -

Bafômetro é ilegal ou legal

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nessa segunda-feira (11) que punir motoristas que se recusam a fazer o teste do bafômetro é inconstitucional. A medida está prevista na chamada Lei Seca e a declaração de Gurgel surgiu depois que a subprocuradora Debora Duprat se manifestou contra a punição administrativa de motoristas. “A manifestação da procuradoria foi nesse sentido, do princípio de vedação, de ser obrigado a produzir prova contra si mesmo. Nesse aspecto que nos manifestamos. É inconstitucional”, explicou Gurgel. Segundo ele, é preciso estudar uma solução melhor para que o texto não deixe brechas para a impunidade. “Temos que refletir. O certo é que essa solução encontrada pareceu que carecia, que faltava de constitucionalidade”, disse.

Vidal aconselha Nazif a fazer a Justiça Política que o povo espera

Indagado em relação ao fim do mandato do ex-prefeito afastado Roberto Sobrinho (PT), Vidal aproveitou para esclarecer que “nunca dei declarações favoráveis ao ex-prefeito. Não sei de onde isso saiu, ou foi um mal entendido ou foi uma atitude deliberada. Roberto Sobrinho deixou a cidade desanimada, desesperançada e o atual prefeito não percebeu isso e não conseguiu reacender a esperança do povo. A população está desanimada e precisa ser estimulada a acreditar a ter esperanças”.

Já em relação à falta de punição aos corruptos e devolução do que foi surrupiado dos cofres públicos, Aluízio Vidal declarou que “se alguém for punido, significa que aquilo aconteceu. Se foi desvio de dinheiro público, precisa ser devolvido o que foi afanado. Pena que ainda estamos longe disso”.

Salários atrasados

Servidores públicos federais que estão à disposição do Estado estariam com o pagamento atrasado. A informação é que, pelo menos até e última sexta-feira (8), os federais disponibilizados para o Estado aguardavam o salário de fevereiro. Caso o fato seja confirmado ele ocorre pela primeira vez.

Vem com tudo

A menos que surja alguma mudança de rumos pelo caminho, inesperada, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Hermínio Coelho, vai mesmo disputar o governo do Estado no ano que vem. Perguntado, Hermínio não responde diretamente, mas deixa claro que seu partido, o PSD, terá nome próprio na disputa e, para quem acompanha a política local, não há outra liderança para entrar na briga como ele. Vai concorrer contra Confúcio Moura, Ivo Cassol e Expedito Júnior, entre outros, já também pré candidatos.

Eletrobrás de novo

O deputado Ribamar Araújo, que não tem papas na língua quando trata de interesses da coletividade, foi à Eletrobras, em Brasília, protestar contra o aumento das contas de energia. Ele disse ao diretor da Eletrobrás Humberto Moraes, que são as pessoas mais humildes as que mais sofrem com aumentos absurdos. Apresentou exemplos de famílias pobres que pagavam 60 reais mensais e, de um mês para o outro, a conta foi multiplicada cinco vezes, chegando a 300 reais. Ribamar disse que a aferição dos contadores está sendo feita de forma errada e exigiu providências da estatal.

EXPOVEL

O neo deputado Adriano Boiadeiro, achou um mote para seus primeiros passos na Assembleia. O representante de Nova Brasilândia e região, que ocupou a vaga do prefeito eleito de Ariquemes, Lourival Amorim, quer ser o porta voz do recém criado Sindicato dos Produtores Rurais do Estado. E quer pressionar o governo para que a Expovel volte logo a ser realizada em Porto Velho. Nem ele nem o Sindicato querem esperar por obras futuras, como as planejadas para a área do atual aeroclube, onde a Expovel passaria a ser realizada.

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Um Diploma ou um Sacerdócio?

Que respostas podemos dar à indagação sobre os motivos de se exigir que o profissional de Jornalismo seja formado por uma faculdade?

Digamos, desde logo, que a faculdade não vai "fazer" um jornalista. Ela não lhe dá técnica se não houver aptidão, que denominamos de vocação.

A questão é mais séria e mais conseqüente. A faculdade, além das técnicas de trabalho, permite ao aluno a experiência de uma reflexão teórica e, principalmente, ética.

Não achamos absurdo que um médico deva fazer uma faculdade. É que vamos a ele entregar o nosso corpo, se necessário, para que ele corte, interfira dentro de seu funcionamento, etc.

Contudo, por vezes discutimos se existe necessidade de faculdade para a formação do jornalista, e nos esquecemos que ele faz uma intervenção muito mais radical sobre a comunidade, porque ele interfere, com seus artigos, suas informações e suas opiniões, diretamente dentro de nosso cérebro.

Acho que, pelo aspecto de cotidianidade que assumiu o Jornalismo, a maioria das pessoas esquece que o Jornalismo não é uma prática natural.

O Jornalismo é uma prática cultural, que não reflete a realidade, mas cria realidades, as chamadas representações sociais que interferem diretamente na formulação de nossas imagens sobre a realidade, em nossos valores, em nossos costumes e nossos hábitos, em nossa maneira de ver o mundo e de nos relacionar com os demais.

A função do Jornalismo, assim, é, socialmente, uma função extremamente importante e, dada a sua cotidianidade, até mais importante que a da medicina, pois, se não estamos doentes, em geral não temos necessidade de um médico, mas nossa necessidade de Jornalismo é constante, faz parte de nossas ações mais simples e, ao mesmo tempo mais decisivas, precisamos conhecer o que pensam e fazem nossos governantes, para podermos decidir sobre as atividades de nossa empresa; ou devemos buscar no Jornalismo a informação a respeito do comportamento do tempo, nas próximas horas, para decidirmos como sair de casa, quando plantar, ou se manter determinada programação festiva.

Buscamos o Jornalismo para consultar sobre uma sessão de cinema, sobre farmácias abertas em um feriadão, mas também para conhecermos a opinião de determinadas lideranças públicas a respeito de determinado tema, etc.

Tudo isso envolve a tecnologia e a técnica, o nível das aptidões, capacidades e domínio de rotinas de produção de um resultado final, que é a notícia.

Mas há coisas mais importantes: um bom jornalista precisa ter uma ampla visão de mundo, um conjunto imenso de informações, uma determinada sensibilidade para os acontecimentos e, sobretudo, o sentimento de responsabilidade diante da tarefa que realiza, diretamente dirigida aos outros, mais do que a si mesmo.

Quando discuto com meus colegas a respeito da responsabilidade que eu, como profissional tenho, com minha formação, resumo tudo dizendo: não quero depender de um colega de profissão, "transformado" em "jornalista profissional", que eventualmente eu não tenha preparado corretamente para a sua função.

A faculdade nos ajuda, justamente, a capacitar o profissional quanto às conseqüências de suas ações.

Mais que isso, dá ao jornalista, a responsabilidade de sua profissionalização, o que o leva a melhor compreender o sentido da tarefa social que realiza e, por isso mesmo, desenvolver não apenas um espírito de corpo, traduzido na associação, genericamente falando, e na sindicalização, mais especificamente, mas um sentimento de co-participação social, tarefa política (não partidária) das mais significativas.

Faça-se uma pergunta aos juízes do STF a quem compete agora julgar a questão, mais uma vez, questão que não deveria nem mais estar em discussão: eles gostariam, de ser mal informados?

Eles gostariam de não ter acesso a um conjunto de informações que, muitas vezes, são por eles buscadas até mesmo para bem decidirem sobre uma causa que lhes é apresentada através dos autos de um processo?

E eles gostariam de consultar uma fonte, sempre desconfiando dela?

Porque a responsabilidade do jornalista reside neste tensionamento que caracteriza o Jornalismo contemporâneo de nossa sociedade capitalista: transformada em objeto de consumo, traduzido enquanto um produto que é vendido, comercializado e industrializado, a notícia está muito mais dependente da responsabilidade do profissional da informação, que é o jornalista, do que da própria empresa jornalística que tem, nela, a necessidade do lucro.

Assim sendo, é da consciência aprofundada e conscientizada do jornalista quanto a seu trabalho, que depende a boa informação.

E tal posicionamento só se adquire nos bancos escolares, no debate aberto, no confronto de idéias, no debate sério e conseqüente que se desenvolve na faculdade.

Eis, em rápidos traços, alguns dos motivos pelos quais é fundamental que se continue a exigir a formação acadêmica para o jornalista profissional.

A academia não vai fazer um jornalista, mas vai, certamente, diminuir significativamente, a existência de maus profissionais que transformam a informação, traduzida na notícia, em simples mercadoria.

Danny Bueno

_______________Arquivo vivo: